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Biografia Nelly

Descendente de sírios, Nelly nasceu dia 25 de Maio de 1930 em Ribeirão Bonito, interior de São Paulo, quase três décadas depois de seus pais, Dib Jorge com 14 anos e Maria, com 3 anos, terem deixado seu país de origem.
 
Dib Jorge atuou como mascate e forneceu alimentos para os trabalhadores que  implantavam a Estrada de Ferro na região de Ribeirão Bonito, em torno da qual surgiram Penápolis e outras cidades. Seu casamento com Maria Abdalla  foi realizado em Ribeirão Bonito e a fixação do casal na região de Penápolis ocorreu em 1908 quando Dib e seus primos estabeleceram um comércio na cidade.
 
O casal Dib e Maria teve 7 filhos: Helena, Ivone, Nelly, Jorge, Antonieta, Eunice e William.
 
Nelly iniciou o primário em Ribeirão Bonito, no Grupo “Cel. Pinto Ferraz”. Ao mudar-se com a família para Glicério deu seqüência aos estudos, e percorria à pé, um trajeto de 3 km até chegar à escola, acompanhada das irmãs Helena e Ivone e do irmão Jorge. Fora da escola eles aproveitavam as coisas boas da fazenda, se deliciavam no pomar e se divertiam no rio. Costumeiramente Nelly cantava e encantava com uma bela voz e, certa vez, dormindo, ela entoou a música “Luar do Sertão”.
 
Morando em Penápolis, passou a estudar no Educandário Coração de Maria, onde fez o ginásio e formou-se professora. No curso Normal era muito querida pelas colegas, sendo lembrada pelo espírito de união, alegria, bom humor e entusiasmo, sempre constantes.
 
Tornou-se professora aos 20 anos de idade e começou a lecionar na Fazenda Boa Vista, no bairro Urutágua. Ia e voltava de trem, tinha o carinho, respeito e admiração dos alunos, pelo competente trabalho e pelo “grande coração” herdado de sua mãe, ajudando as pessoas em dificuldade com alimentos e agasalhos. Também lecionou no bairro do Bonito e outras escolas da zona rural.
 
Aos 23 anos, em 10 de Janeiro de 1954, Nelly casou-se, no Santuário São Francisco de Assis, com Francisco Colnaghi, comerciante descendente de italianos. Tiveram três filhos: Jorge Luis, Francisco Carlos e José Roberto. Mãe dedicada, admirava seus filhos, sendo ao mesmo tempo enérgica e carinhosa, dizia aos filhos que o  importante era respeitar e ser feliz.
 
Aos 33 anos sofreu uma importante cirurgia, mas manteve o entusiasmo em ajudar os menos favorecidos, e pronta a colaborar sempre que necessário. Era muito forte nas palavras, no apoio às pessoas e seu pai sempre a elogiava por isso.
 
Nelly era bastante otimista, acolhedora e reconhecida pela sua generosidade em atender e ouvir as pessoas que a procuravam, principalmente crianças que muitas vezes almoçavam na varanda de sua casa.
 
Orientou os filhos para a religião, incentivando-os a atuarem como “coroinhas” e foi presidente da “Cruzada Eucarística” e apoiou a Congregação de Maria.
 
Em 1967 passou a atuar no setor administrativo da escola “Yone Dias de Aguiar” e, mais uma vez, conquistou a todos com seu jeito atencioso e companheiro. Em seguida atuou na biblioteca da mesma escola, onde era procurada como uma espécie de confidente.
 
Aposentou-se em maio de 1981 e, no início da década de 80, os problemas de saúde aumentaram. Nelly viajava à São Paulo, onde fazia tratamento, ela queria viver. Sua resistência aos obstáculos que a doença impunha era notável, tanto que alguns dias após sofrer uma cirurgia no abdome, participou do casamento de seu filho Teté, a quem chamava “meus olhos azuis”. Com maior comprometimento da sua saúde, ficou 3 meses acamada e faleceu em 11 de Março de 1984. Um exemplo de mãe, esposa, irmã, amiga, filha e cidadã.

Penápolis / SP

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